Spread Bancário em 4 tópicos simples

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 Olá, Corbank! 🙂

O spread bancário me vem à cabeça sempre que um cliente reclama, com razão, sobre juros altíssimos cobrados pelos bancos.

Também quando questionam porquê mesmo com as últimas reduções dos juros anunciadas pelo Banco Central, o crédito no Brasil permanece tão caro.

Embora algumas medidas venham sendo tomadas pelo governo para a redução do spread bancário, com foco na retomada do crescimento do país e da Selic, essa redução acontece em passos lentos, já que a agenda prevê “medidas sustentáveis e equilibradas”.

Enquanto isso, os bancos seguem responsabilizando à inadimplência e ao compulsório, para manterem os juros altos.

Para te ajudar a entender melhor o spread bancário, como ele é composto e porque temos um dos maiores spreads do mundo, preparei esse artigo.

Espero que possa te ajudar a lidar com as queixas dos clientes e a poder ofertar a melhor opção em linha de crédito para o seu cliente.

 

1) O que é spread bancário?

Você já deve ter ouvido falar sobre spread bancário e que se trata do lucro dos bancos, mas será que o spread bancário é formado somente pelo lucro dos bancos?

Quando um poupador investe em um produto de investimento bancário, como CDB, poupança, etc, a instituição financeira paga um prêmio sobre o valor principal a quem investe em seus ativos, em forma de rendimentos.

A instituição financeira, que atua como intermediadora, formaliza que o valor investido por um poupador seja emprestado a um tomador.

Quando um tomador utiliza um dos produtos de crédito bancário, tais como: empréstimos, financiamentos, etc, a instituição financeira cobra uma remuneração sobre o valor principal a quem toma o crédito, em forma de juros.

E é aí que entra o spread bancário.

A diferença entre a taxa de captação que o banco cobra ao emprestar um recurso e a taxa de remuneração que o banco paga a quem investe em seus ativos é o spread bancário, ou seja, o spread bancário é como se fosse o lucro dos banco nessas operações.

Mas o spread não representa apenas o lucro dos bancos. Ele também é composto por custos de folha de pagamento, impostos, custos de manutenção da rede de atendimento, dentre outros.

 

2) Como o spread é composto?

O spread bancário é composto por alguns itens: custo de captação, compulsório, custos administrativos, custo de risco, margem bruta, impostos diretos e margem líquida.

1.) Custo de Captação: é quanto o dinheiro custa ao banco. O referencial de custo dos bancos é o CDI

2) Compulsório: o depósito compulsório é uma maneira do Banco Central controlar a quantidade de dinheiro na economia, de modo que os bancos são obrigados a depositar parte dos recursos captados, via depósito à vista, a prazo ou poupança, numa conta do Banco Central.

3) Custos Administrativos: representa o custo com agências, trabalhistas e manutenção da rede de atendimento.

4) Custo do risco: é o custo da inadimplência a que estão sujeitos os bancos nas operações de crédito.

5) Margem bruta: é a margem de lucro prevista pelos bancos, antes da aplicação do custo de risco.

6) Impostos Diretos: são os encargos fiscais e outros tributos que o banco paga ao Governo. Junto com o compulsório, os impostos formam a cunha fiscal.

7) Margem Líquida: é a receita dos bancos, o lucro. Inclui também possíveis erros e omissões das estimativas e dados mensurados e é aqui que provavelmente se encontra o motivo dos juros bancários no Brasil serem tão elevados.

O spread bancário é composto em mais de 50% do lucro dos bancos.

 

3) Como o spread bancário é calculado?

De forma superficial, o banco funciona como uma empresa qualquer. Assim como qualquer empresa, o banco vende seu produto que é o dinheiro. Quando o banco compra esse produto, recorre ao mercado financeiro para captar recursos.

O custo desse produto equivale aos juros pagos aos poupadores. Quando esse produto é revendido aos seus clientes em forma de empréstimo aos tomadores, como numa empresa qualquer, o banco repassa esse produto com sua margem de lucro sobre o preço de custo, em forma de juros.

Existem 3 formas básicas adotadas para calcular o spread: spread multiplicativo, spread aditivo e spread percentual. Normalmente o spread multiplicativo é o mais usado.

Veja um exemplo de cálculo de spread multiplicativo:

O banco compra um dinheiro a 15% ao ano e revende a 25%, o spread bancário é 12% ao ano.

 

4) Por quê temos um spread tão alto?

Obviamente que a taxa de remuneração é sempre maior que a taxa de captação, e é nessa diferença que os bancos lucram. E se por um lado, a população em geral e o próprio Governo apontam os lucros bancários como exorbitantes, os bancos por outro lado, justificam os juros elevados devido ao alto índice de inadimplência e também ao depósito compulsório.

Na prática, não é bem assim. Dos itens que compõem o spread bancário, a margem bruta aplicada pelos bancos, incluindo erros e omissões, representam mais de 50% do total do spread, logo, fica fácil concluir o motivo de nossos juros serem considerados abusivos.

Falaremos sobre depósito compulsório em outro artigo, tá bom? 😉


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Se você ficou com alguma dúvida sobre crédito, escreva para mim ou deixe seu comentário abaixo.

Um forte abraço.

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