Entrevista: Ingrid Barth comenta os bastidores das fintechs e o futuro do mercado financeiro no Brasil

Assim como acontece com vários segmentos, o mercado financeiro também está mudando.


Hoje, o consumidor quer resolver seus problemas de forma rápida, pontual e, de preferência, pela tela do seu smartphone.


Nesse cenário, longas filas, processos extremamente burocráticos e ligações intermináveis já não tem mais espaço na vida do consumidor moderno. E as fintechs perceberam isso.

Incorporando recursos tecnológicos ao mercado financeiro, as fintechs estão revolucionando não só o acesso às soluções financeiras, mas a imagem que o público tem do setor.

Em entrevista exclusiva para o Viver de Crédito, Ingrid Barth, diretora na ABFintechs e COO & Founder da Linker – banco digital focado em pequenos empreendedores – conta como são os bastidores das fintechs brasileiras e o que podemos esperar desse mercado em ascensão.

Ingrid Barth, COO & Founder da Linker e Diretora na Abfintechs

[Viver de crédito] Muitas empresas do setor financeiro ainda utilizam processos de captação e conversão de clientes bem tradicionais. Como as fintechs alcançam e se relacionam com seus consumidores?

[Ingrid Barth] As fintechs normalmente utilizam processos ligados ao digital. Cada empresa vai escolher quais são os melhores caminhos para trilhar, mas, de forma geral, usamos bastante as redes sociais, e-mail e aplicativos como o WhatsApp tanto para captar quanto para manter o contato com o cliente.


Com essas ferramentas é mais simples centralizar todo o atendimento e relacionamento em uma mesma plataforma e gerenciar as interações de uma forma mais estratégica e funcional.


Com isso, nosso relacionamento com o consumidor se torna mais ágil, simples e personalizado. E é exatamente isso que o público procura atualmente.


 

Ainda que muitos clientes prefiram manter o contato por canais digitais, como WhatsApp e direct do Instagram, por exemplo, também há quem priorize o contato pessoal. Como as fintechs atendem esse público?


Houve uma época em que o contato digital ainda era muito deficiente, por isso, muitas pessoas ainda acreditam que não dá para resolver alguns assuntos por WhatsApp. Mas hoje isso está mudando.


A tecnologia tem evoluído muito e nos permite atender com a mesma qualidade um cliente que queira falar pelo telefone e outro que prefira conversar pelo Facebook.


Acredito que é uma questão de tempo para que esses canais offline se tornem cada vez menos utilizados. É um processo de acostumar e confiar no atendimento digital.

“Para você estar na internet de uma forma eficiente, as pessoas precisam confiar em você. E é possível ganhar essa confiança mostrando que você domina o mercado em que trabalha e que já proporcionou boas experiências para outros clientes”



Muitas pessoas têm trocado os bancos tradicionais por fintechs. Por que isso acontece?
 

Entendo que o atendimento é a principal causa desse movimento. Já ouvi de muitos clientes que eles não se importavam de pagar mais se o produto e o atendimento fossem de melhor qualidade.


As fintechs se preocupam muito em oferecer uma experiência personalizada. Estamos à disposição 24 horas por dia e 7 dias por semana, atendemos em vários canais para gerar conveniência, e isso faz diferença para muita gente.


Diferente das operações tradicionais, com as fintechs é possível resolver problemas na hora, sem sair de casa e com ferramentas muito simples de serem operadas.


Isso é muito atrativo para quem está acostumado a perder horas na fila de um banco ou na espera de um call center.


A migração para as fintechs também pode estar ligada aos custos.


Como a estrutura das fintechs é mais enxuta, as despesas são menores, e isso reflete em taxas reduzidas, o que também atrai o consumidor.

Cubo Itaú - Entrevista com Ingrid Barth - Viver de Crédito
Ingrid Barth recebeu nossa equipe no Cubo Itaú

A cultura organizacional das fintechs parece ser bem diferente das empresas tradicionais. Como é o dia a dia interno nas fintechs?


O ambiente das fintechs costuma ser mais descontraído e leve porque é um ambiente de criatividade e inovação. Existe um respeito maior à personalidade de cada um.


Mas em termos de trabalho e responsabilidade, são bem semelhantes às empresas tradicionais.


Na verdade, acho que em fintechs até trabalhamos mais porque os times são mais enxutos e as coisas acontecem mais rápido.


Também é um ambiente de aprendizado muito bacana. Como os escritórios costumam ser menores, todo mundo trabalha junto e acaba aprendendo e participando de decisões de todas as esferas.



Atualmente, as fintechs têm sido vistas como o futuro do mercado financeiro. Você acredita que as instituições financeiras como conhecemos podem chegar ao fim?

Eu acredito que não. As fintechs vieram para complementar o ambiente bancário e alcançar públicos que, até então, as instituições tradicionais não absorviam.


Hoje, a gente estima que metade da população brasileira é desbancarizada. Isso significa que existe um público gigantesco que ainda podemos explorar juntos.


Por isso, cada vez mais, têm surgido fintechs que atendem nichos específicos e os próprios bancos estão fazendo parcerias com elas porque sabem que sozinhos não conseguiriam captar esses perfis de consumidores.



Que dica você pode dar para as empresas tradicionais que também querem investir em tecnologia para se manter atualizadas e alinhadas com o mercado?

Um bom primeiro passo é começar em casa. Existe muito conteúdo bacana sobre inovação e tecnologia para o profissional do mercado financeiro consumir e entender melhor quais as inovações que estão acontecendo no setor.


Também existem eventos específicos para quem quer aprender mais sobre assuntos como inteligência artificial e atendimento na era digital, por exemplo.


Todas essas formas de se envolver e pesquisar as atualizações do mercado são bem enriquecedoras e ajudam a ajustar a mentalidade de quem quer começar a investir na tecnologia.



E o que você enxerga para o futuro do mercado financeiro?


Acredito que o setor vai estar mais equilibrado e justo. Hoje, 85% das operações estão concentradas nas mãos de 5 grandes bancos. No futuro nossa área estará melhor distribuída.


Vejo que isso vai gerar um maior desenvolvimento econômico e social para o nosso país e acredito que nos próximos anos estaremos bem mais avançados nesse sentido.
 

Assista outras dicas incríveis da entrevista de Ingrid Barth em nosso canal no Youtube: 

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